Capa » Agropecuária » Arantes solicita força-tarefa para combater a violência no campo no Estado
Arantes solicita força-tarefa para combater a violência no campo no Estado
Arantes criticou a legislação que mais "defende o bandido".

Arantes solicita força-tarefa para combater a violência no campo no Estado

O auditório ficou cheio de produtores, prefeitos, vereadores e lideranças do setor rural para a discussão sobre a violência no campo.

O auditório ficou cheio de produtores, prefeitos, vereadores e lideranças do setor rural para a discussão sobre a violência no campo.

O presidente da Comissão de Política Agropecuária e Agroindustrial da Assembleia de Minas, deputado estadual Antônio Carlos Arantes (PSDB) presidiu nesta quarta-feira, 11/06, mais uma audiência pública para discutir a questão da segurança na zona rural. Estiveram presentes o major da Polícia Militar, Eugênio Pascoal; o tenente coronel da PM, Daniel Garcia; a representante da Polícia Civil, a delegada geral Rosilene Alves de Souza; o subsecretário de Agronegócios Antônio Gama; o diretor da Associação Mineira de Silvicultura (AMS), Antônio Tarcísio de Andrade; o gerente ambiental do Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool do Estado de Minas Gerais (SIAMIG), Jadir Silva de Oliveira; o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Boa Esperança, Manoel da Costa; o diretor da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (FAEMG), Marcos de Abreu da Silva; o vereador de Belo Horizonte, coronel Piccinini; o presidente da Associação dos Municípios do Baixo Sapucaí, o prefeito de São Bento Abade, Reinaldo Vilela Filho, o “Nadico”, além de diversos presidentes e autoridades ligados a sindicatos rurais do Estado, prefeitos, vereadores e produtores rurais. Após ouvir todas as ponderações dos presentes, Antônio Carlos solicitou ao Governo do Estado uma força-tarefa para combater a violência na zona rural em Minas e chamou a atenção de que é necessário o reforço de efetivo e de mais estrutura em diversos municípios mineiros, tanto que o parlamentar tomou a iniciativa de enviar ao secretário de Estado de Defesa Social, Rômulo Ferraz, os pedidos dele, baseados nos testemunhos colhidos durante a audiência. Boletins de ocorrência de Boa Esperança, Claro dos Poções, Curvelo, Felixlândia, Corinto, Lassance, Bocaiuva, Brasilândia de Minas, Várzea da Palma, Três Marias, Diamantina, Taiobeiras, entre outros municípios, foram anexados no documento que o parlamentar enviou ao secretário.

Para Antônio Carlos, que já realizou diversas vezes, audiências e debates públicos com a mesma finalidade, houve resultados importantes em alguns municípios onde há a integração bem realizada com as Polícias Civil e Militar com a participação e envolvimento da comunidade, mas alertou para a legislação absurda que tem favorecido o bandido. “Não me conformo de saber que uma Portaria da Justiça em acordo com a Comissão de Direitos Humanos quer proibir um policial de apontar uma arma para um suspeito em uma blitz, por exemplo”. O parlamentar elogiou a PM como a melhor do Brasil, mas destacou que é preciso um trabalho em conjunto que envolva as polícias, o Ministério Público, a comunidade para uma eficácia maior no combate à criminalidade. “E se não resolvermos isto de vez, teremos um êxodo rural em crescimento, que culminará em um problema maior social e econômico”, alertou.

Tarcísio da Associação Mineira da Silvicultura, que solicitou a audiência a Arantes, relatou diversos casos de violência e apontou prejuízos de mais de R$ 5 milhões com roubos em seu setor de insumos agrícolas, veículos, maquinários com casos de violência extrema com reféns. “Geramos mais de 500 mil empregos no Estado, precisamos de uma solução”.

O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Boa Esperança, Manoel da Costa, outro que pediu ao político a audiência, mostrou a imagem de um sujeito que tomou 50 coronhadas em uma ação violenta que sofreu na zona rural. “De novembro de 2013 até abril de 2014 tivemos 14 tratores roubados, estamos com pouco efetivo para uma cidade que tem 40 mil habitantes e que é destaque em produção de grãos, de café e de leite”, lamentou.

O diretor da FAEMG, Marcos Abreu, lembrou que este tema é um dos que mais preocupa a Federação, tanto que vários diretores da entidade estavam presentes na audiência. Marcos disse que o trabalho de prevenção da polícia tem sido difícil na zona rural. “Conhecemos casos de alguns sindicatos que ajudam a pagar a gasolina dos carros da polícia”, exemplificou.

O prefeito de São Bento Abade, “Nadico” elogiou a iniciativa do parlamentar em promover esta discussão e comentou que a insegurança no campo tem levado a uma migração da população rural para a zona urbana.

O presidente do Sindicato Rural de Divinópolis, Irajá, contou sobre uma barbaridade que fizeram com uma menina, filha de um produtor, que teve a mão cortada para que o pai revelasse onde estava o dinheiro na propriedade rural. Ele fez um pronunciamento que chamou a atenção: “Tem horas que a gente precisa da polícia, de um dentista, de um jornalista, de um mecânico, de um médico, mas necessitamos do produtor rural três vezes ao dia: na hora do café, do almoço e do jantar”, ponderou.

O presidente do Sindicato Rural de Pitangui, José Éder, expôs que a Comissão de Política Agropecuária da Assembleia, sob a presidência de Arantes, tem realizado um trabalho exaustivo para sensibilizar o Governo quanto a questão, mas que é necessário mais ação.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Santana da Vargem, Jorge Calili, o título de eleitor será fundamental para mudar a legislação que puna, efetivamente, os bandidos e acrescentou: “Como um policial pode dirigir 40 km em estrada vicinal sem gasolina. Não temos uma estrutura adequada na polícia”.

A delegada da Polícia Civil, Rosilene Alves, defendeu o trabalho integrado com a PM e lembrou que tem sido realizados esforços pela corporação. “No ano passado, 429 novos delegados foram inseridos no trabalho em Minas, prendemos 8 mil pessoas a mais que o ano anterior, o que tem provocado um inchaço nas cadeias e alguns juízes interditam determinados lugares. Então há um problema da superlotação nas cadeias e penitenciárias”. Rosilene lamentou também que às vezes policiais civis têm se transformado em gestores de presos, ao invés de atuarem nas investigações. “Temos trabalhado muito, mas os criminosos têm se sofisticado em suas ações”, observou.

Antônio Gama da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento disse que levará todas as impressões colhidas na audiência ao secretário André Merlo, para que providências sejam tomadas.

O tenente-coronel da PM, Daniel Garcia, lamentou que o aumento da criminalidade não tem sido um “privilégio” de Minas, mas disse que o combate pode ser mais efetivo com a participação e integração maior com a comunidade. Para Daniel, o sistema judiciário é frouxo e isto dificulta o trabalho da corporação, que muitas vez prende o bandido e o vê solto dias depois.

Conforme explicou o major Eugênio Pascoal, o trabalho da Patrulha Rural tem sido institucionalizado pela PM, mas ainda não está presente em todo o Estado. “Onde ela existe, já temos tido resultados importantes”. Apesar disto, reconheceu que o efetivo é pequeno, porém, citou que o treinamento dos policiais para o trabalho na zona rural é muito bom e acrescentou: “Este ano, a Polícia Militar mineira ganhou 154 viaturas 4×4 para atuar nestes locais e formaremos em breve 12 mil soldados”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>