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Ciclo de Debates da ALMG aponta soluções para a retomada do Desenvolvimento Econômico

Para o autor do requerimento, deputado Arantes, exemplos de sucesso não faltam

 

 

A pedido do presidente da Comissão de Turismo, Indústria, Comércio e Cooperativismo, deputado Antônio Carlos Arantes (PSDB), a Assembleia Legislativa de Minas Gerais realizou nos dias 3 e 4 de dezembro o “Ciclo de Debates Retomada do Desenvolvimento Econômico”, um dos mais importantes fóruns de discussão sobre a crise que afeta Minas Gerais e o Brasil. Participaram dezenas de empresários, cientistas políticos, economistas, líderes sociais e de classes, parlamentares e gente do povo que durante dois dias debateram as causas da crise e formularam ideias e soluções para superá-la em curto e em médio prazo.

O deputado Arantes, autor do requerimento que deu origem ao encontro, disse que o Ciclo é um bom momento para ouvir opiniões e experiências que deram certo. “Está na hora do País reagir. Precisamos dar valor à nossa economia; agregar mais valor aos produtos mineiros, como o café e o minério, e não podemos esquecer que a retomada do desenvolvimento passa pela redução dos custos de produção epelo aumento da produtividade”, argumentou.

Os debatedores foram unânimes em apontar a má condução da política econômica como a responsável pela crise. Altas taxas de juros, inflação, desemprego, falta de investimentos em infraestrutura e na economia interna, além dos graves problemas de corrupção e de paralisia política levaram o País ao momento crítico que vivemos.

O economista Nílson Araújo de Souza, professor da Universidade Federal de Integração Latino-Americana (Unila), que abriu o Ciclo de Debates, defendeu que o problema que afeta o país não vem da crise mundial, mas da escolha de políticas econômicas ruins pelo governo brasileiro. Para ele, o principal problema são as altas taxas de juros que inibem investimentos em atividades produtivas e o dinheiro acaba direcionado a atividades especulativas. “Nesse caminho, não há saída para crise. Já estamos em recessão e vamos entrar em depressão econômica”, concluiu

 

Fiemg defende parcerias público-privadas

 

diretor financeiro da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Rômulo Rodrigues Rocha, representando a entidade defendeu pontos considerados estratégicos para mudar a realidade econômica. Primeiro, fortalecer o parque industrial e agregar valor aos produtos. Depois, aumentar a presença da iniciativa privada em estruturas sociais como escolas, presídios e estações de tratamento de esgoto, na forma de concessões e parcerias público-privadas (PPPs). Por fim, a necessidade de reordenamento espacial da economia e da reforma tributária.

Para o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial, Lincoln Gonçalves Fernandes, a atividade produtiva no País não sobrevive em um ambiente com taxa de juros, carga tributária e inflação elevadas.

Segundo ele, o Brasil registrou queda de 14% nos investimentos até agora e a tendência para 2016 é de que essa queda seja de 7%. “Essa é uma tendência observada em vários setores produtivos. No setor industrial, as quedas na produção chegaram a 7,4% no País e 7,2% em Minas Gerais, o que representa 14% a menos em faturamento. Em termos de arrecadação de ICMS isso é uma corrosão”, afirmou.

Nesse cenário, Lincoln Gonçalves Fernandes disse ser inacreditável pensar que o Estado esteja aumentando a carga tributária. “A solução não passa pela carga tributária. Caso contrário, vamos matar o resto da indústria em Minas Gerais. Se não mudarmos a gestão fiscal e o rearranjo das questões tributárias e econômicas, não vamos a lugar nenhum”, alertou.

 

 

Empregos caem, inflação aumenta

 

presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) e vice-presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG), Bruno Falci, afirmou que a inflação está corroendo os salários das pessoas e também o faturamento das empresas, enquanto a alta carga tributária e a burocracia, classificada por ele como insustentável, sufocam a maioria dos negócios.

Para Falci, a crise política brasileira já contaminou a economia e, na sua avaliação, o governo não está incentivando a atividade produtiva, mas sim a atividade especulativa e financeira.

O vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores em Minas Gerais (CUT-MG), Carlos Magno de Freitas, denunciou que no Brasil, de 2002 a 2014, houve um crescimento de 73% em empregos no setor metalúrgico, quadro que se inverteu em 2015, com um recuo de 182 mil postos de trabalho (7,8%). Em Minas, o setor teve um aumento de 71,25% em relação aos empregos gerados, entre 2002 e 2014, enquanto a queda em 2015 foi de 8,8% (23 mil postos de trabalho). E surpreendendo a todos, Carlos Magno defendeu a regulamentação da terceirização e uma ampla reforma política, tributária e sindical.

Na avaliação do presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Antônio Júlio de Faria, o País tem uma carga tributária pesada, por isto tem dificuldade em arrecadar. Ele considerou que a reforma tributária não vai resolver sozinha a questão do desenvolvimento do Estado.

O presidente da AMM ainda ponderou que enquanto nos outros países, em momentos de crise, a taxa de juros é reduzida, no Brasil acontece o contrário: há uma elevação da taxa, medida que, segundo ele, só interessa aos banqueiros.

 

Mais infraestrutura e tecnologia estão entre demandas rurais

 

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Roberto Simões, defendeu a necessidade de investimentos em infraestrutura e em pesquisa para novas tecnologias, bem como maior assistência técnica no campo para garantir o desenvolvimento econômico da agricultura e da pecuária em Minas Gerais. Segundo ele, é preciso vencer alguns obstáculos. O primeiro deles seria a falta de infraestrutura, para armazenar e transportar a produção. O segundo é a necessidade de se investir em tecnologia e inovação para garantir maior produção, sem aumentar as áreas e sem agredir o meio ambiente.

O presidente da Faemg falou ainda da necessidade do Estado adotar uma política externa mais agressiva, que negocie com grandes compradores e não apenas com países do Mercosul e outros com mercados pequenos. Ele também defendeu um seguro para a agricultura. “Com todas as intempéries, além das questões econômicas, cria-se um passivo impagável. Ninguém aguenta pagar o fracasso de uma safra”, concluiu.

A importância da agricultura familiar foi destacada pelo presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Estado de Minas Gerais (Fetaemg), Vilson Luiz da Silva. Segundo ele, cerca de 70% do alimento consumido no Brasil é produzido pela agricultura familiar. Por isso, defendeu políticas para os pequenos produtores.

O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, João Cruz Reis Filho, disse que um dos programas propostos no Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG), atualmente em tramitação na ALMG, prevê ações para garantir a sucessão no campo. Outro programa citado foi o Certifica Minas Café, para oferecer certificação simples e barata para propriedades rurais, qualificando os produtos.

O deputado Antônio Carlos Arantes cobrou a participação do poder público no desenvolvimento do setor. Ele citou como solução a lei de sua autoria que obriga órgãos públicos estaduais a comprarem pelo menos 30% de alimentos de agricultores familiares.

 

Inovações tecnológicas

 

Encerrando o Ciclo de Debates os palestrantes defenderam maior aproximação entre universidades e empresas, a participação do governo em pesquisas.

O diretor executivo do Centro de Inovação e Tecnologia (Cetec), José Policarpo Gonçalves de Abreu, afirmou que é fundamental “consolidar uma ponte de entendimento” entre indústrias e instituições de ensino e de pesquisa.

O gerente de inovação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) Héber Pereira Neves observou que na articulação entre governo, empresa e universidade, há a necessidade de fomentar o empreendedorismo, a inovação e a tecnologia.

A diretora executiva do Sebrae-MG, Maria Cármen Diniz, cobrou a união de esforços. “Sem planejamento, somos reféns da urgência. Temos muitas políticas públicas de sucesso e estruturas que promovem o empreendedorismo”, disse. E a gerente do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Gláucia Ferreira da Silva, observou que dos oito mil clientes/ano que procuram a instituição, mais de 70% são pequenas empresas, concluiu.

vice-presidente regional da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Marcelo Luiz Moreira Veneroso, destacou que de um ano para cá houve queda de 7,5% nas exportações do setorconselheiro da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Flávio Roscoe, enfatizou que o deficit de infraestrutura prejudica a produtividade do país e eleva os custos de produção.

Por sua vez, o presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB-MG), Marcelino Orozimbo da Rocha, considerou que a solução para a crise econômica atual passa pela superação dos problemas políticos.

O presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Ubiraci Dantas de Oliveira, lembrou que a “base da indústria brasileira são as pequenas e médias empresas, e quando elas entram em crise, os trabalhadores ficam desamparados”.

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