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Comissão de Agropecuária cobrará da presidenta Dilma soluções para a crise do café

A Comissão de Política Agropecuária e Agroindustrial da Assembleia de Minas, a pedido do seu presidente, o deputado estadual Antônio Carlos Arantes (PSDB) se reuniu nesta segunda-feira, 02/12, com a presença de diversas lideranças da cafeicultura de praticamente todo o Estado para discutir soluções para combater a crise que tem assolado o setor nos últimos tempos. Compareceram também o deputado estadual Carlos Mosconi (PSDB), o presidente da Cooperativa Regional dos Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) Carlos Paulino; representantes da Federação da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (FAEMG), Breno Mesquita e José Roberto Politti, o presidente da Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas (Cocatrel), Francisco Miranda; o presidente da Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Varginha (Minas Sul) Osvaldo Paiva e o presidente da Coocafé, Fernando Rogério de Cerqueira e o diretor da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) Plínio Soares. Estavam na reunião dezenas de representantes do Sul, do Cerrado e da zona da Mata do Estado. Na audiência foi decidido que haverá um requerimento solicitando uma reunião com a presidenta Dilma, a fim de cobrar soluções para minimizar a crise. Além disto, uma mobilização em Brasília tem ganhado cada vez mais força entre as lideranças do setor. Politti da FAEMG e o técnico da EPAMI) Gladstone Rodrigues foram enfáticos: “Se tiver que ir para a rua se mobilizar, iremos”.

Os participantes da audiência mostraram-se revoltados com a denúncia de um produtor de Carmo da Cachoeira, Paulo Roberto Mesquita. Segundo ele, a esposa de um produtor teria tido sua aposentadoria literalmente confiscada pelo Banco do Brasil para garantir um pagamento de uma dívida do mardio. “Eu mesmo fui vítima desta prática na semana passada”, lamentou Paulo. O deputado Antônio Carlos se mostrou revoltado com a situação e a Comissão enviará um requerimento pedindo explicações ao banco.

Bancos como Santander e Bradesco também foram mencionados quando o assunto foi a intransigência na renegociação de dívidas de produtores.

 

Pacto do Café

 

Arantes e os presentes também querem que as sugestões propostas pelo movimento “Pacto pelo café”, com prioridade para o programa Pepro (prêmio de escoamento como política de cinco anos-safra com início da safra 2013/2014 para volume equivalente a 30% da produção de cada ano com o prêmio de 20% acima do preço mínimo fixado anualmente) sejam levadas à presidenta.

Além do Pepro, as lideranças sugerem soluções para o endividamento com ações de curto prazo:

* Conversão e endividamento: as dívidas seriam pagas em sacas de café por um período de 20 anos, que é o tempo de exploração (vida útil de uma lavoura de café) ao preço de R$ 347, sugerido pela CONAB com um acréscimo de 30% previsto no Estatuto da Terra.

* Programa de opção: Uma política de Governo aos cafeicultores a um prazo de 5 anos-safra, ou seja, até 2017/2018, até a formação de um estoque regulador igual a 50% da exportação anual do País.

* Troca de insumos e máquinas: Estas operações de troca de café são usos e costumes praticados pelas empresas fornecedoras com os produtores diretamente ou por meio de suas cooperativas de produção no fomento das boas práticas culturais representados pelo uso de insumos.

* CPR: Cédula do produtor rural: em volume correspondente de até 40% da produção anual de cada produtor, ao preço de mercado com subvenção dos encargos financeiros, a custo zero para o produtor.

* Funcafé: sua política sofreria uma revisão. Seus mecanismos de utilização passariam a ser usados como fonte garantidora – minimizando riscos do sistema financeiro – e não para financiamentos

 

Lideranças expuseram suas aflições

 

Durante a audiência, vários produtores de café puderam expor seus problemas no campo. O vereador de Cabo Verde Ademir Coutinho foi claro. “Os agiotas estão nadando de braçada na minha região, estão como urubus em cima da carniça”, referiu-se à situação delicada em que o produtor enfrenta atualmente.

Breno Mesquita da FAEMG lembrou que o preço sugerido pela Companhia de Abastecimento (CONAB) de pouco mais de R$ 340 seria o suficiente pelo menos para cobrir o custo de produção. “Nem os 307 sugeridos pela presidenta estão sendo praticados”, muitos disseram.

O presidente da Coocafé Fernando Cerqueira sugeriu que o investimento em pesquisa para desenvolver máquinas, principalmente para a região das montanhas, deve ser outra ação importante a ser mais praticada. “A parceria, por exemplo, com a Universidade Federal de Viçosa seria de suma importância para nós”.

O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Boa Esperança, Manoel Joaquim da Costa, que representou mais de 40 sindicatos ligados a Associação dos Sindicatos Rurais do Sul de Minas (Assul) foi outro que engrossou o coro das lamentações. “A gente tenta levar para as autoridades o reflexo do que está acontecendo no campo, quem está aqui não é um presidente de sindicato, é a representação de vários produtores, que tem sofrido com a crise”, disse.

O prefeito José Fernando de Ibiraci, cidade muito lembrada pela alta produtividade, ótima topografia e terreno fértil, também dividiu com os presentes a sua angústia com o preço baixo da saca praticado no mercado.

Arantes lembrou que por muito menos foram feitas enormes mobilizações que surtiram efeito. “Por causa de um preço da passagem de ônibus, de alguns centavos, o povo fez um grande barulho e o resto da história, todo mundo já sabe, penso que agora é a nossa hora”. O deputado compartilhou com as lideranças que esteve em sua terra, Jacuí, no último fim de semana e ao fazer uma caminhada de 7 km, observou várias pequenas propriedades de café postas à venda. “O pequeno produtor está quebrando”, lamentou. “O Brasil produz 40 milhões de saca de café, Minas produz a metade e milhões de emprego são gerados em função disto, a cafeicultura se for mal, quebrará em pouco tempo as cidades dependentes desta economia e em Minas são mais de 400 municípios que vivem em torno do café” , alertou o parlamentar.

Arantes presidiu a audiência que discutiu a crise na cafeicultura mineira. Entre ele, Carlos Paulino da Cooxupé e o deputado Carlos Mosconi. (Foto: Ricardo Gandra)

Arantes presidiu a audiência que discutiu a crise na cafeicultura mineira. Entre ele, Carlos Paulino da Cooxupé e o deputado Carlos Mosconi. (Foto: Ricardo Gandra)

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