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Comissão do Trabalho debateu o fechamento da sede da Votorantim Metais no município de Fortaleza de Minas

A requerimento do deputado estadual Antônio Carlos Arantes (PSDB), a Comissão do Trabalho, da Previdência e da Ação Social da Assembleia Legislativa realizou, nesta terça-feira (26/11), audiência pública para debater a suspensão temporária das atividades da Votorantim Metais no município de Fortaleza de Minas.

O deputado abriu a audiência explicando que a cidade se encontra fragilizada, uma vez que a “atividade minerária é responsável pelo potencial de crescimento do município”. Para ele, faz-se necessário discutir a busca de alternativas. “A empresa precisa também dividir o ônus da redução da exploração, pois já colheu os bônus. Conforme anúncio de demissão da própria Votorantim, são 400 famílias ou mais que ficarão sem renda”, ressaltou o parlamentar.

Na expectativa de contar com o apoio dos governos estadual e federal, Arantes apresentou três requerimentos ao final da audiência: dois deles solicitando audiências de uma comissão dos envolvidos no problema com o secretário de Estado da Fazenda, Leonardo Colombini, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. O terceiro requerimento solicita à direção da Votorantim um tempo a mais antes do completo encerramento das atividades para que seja possível discutir alternativas para a manutenção da empresa em Fortaleza de Minas.

“Todos os envolvidos estão em busca de uma saída para evitar os impactos negativos que afetariam toda a comunidade. O município tem mão-de-obra qualificada, boas estradas, localização estratégica e terreno disponível. São os principais pré-requisitos para se atrair uma outra empresa. Vamos buscar o apoio dos governos para isso”, concluiu Antônio Carlos.

 

Sindicato reclama de indefinição da empresa

 

O presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativas do Estado de Minas Gerais (Ftiemg), José Maria Soares, reclamou da indefinição da empresa em relação ao destino dos trabalhadores e do prazo de suspensão de suas atividades. Segundo ele, em audiência realizada em Pouso Alegre recentemente, “ficou claro que a Votorantim não vai retomar os trabalhos”.

Para Jorge Marciano Neto, representante do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativistas (Sintex), a empresa está “caminhando para o fechamento”. Ele afirmou também que as propostas de compensação “estão abaixo daquilo que ela poderia fazer” e que há profissionais que estão se sentindo pressionados a aceitar o acordo da Votorantim.

Já Paulo Cézar da Fonseca, assessor jurídico do Sindicato dos Servidores Públicos de Fortaleza de Minas, afirmou que o anúncio feito pela Votorantim representa, na verdade, a ruína do município. “Com isso, devemos refletir se os 25 anos de atividade mineradora compensaram”, disse. Ele completou que, ao longo desse período, houve redução salarial e piora das condições de trabalho no setor.

 

Votorantim diz que não está fechando as portas

 

O gerente-geral da Votorantim Metais em Fortaleza de Minas, Antônio Eymard de Rigobello, disse que primeiramente deve ser desfeito um equívoco: a suspensão das atividades é temporária, pois a empresa não está fechando as portas. Em seguida, ele lembrou a trajetória da atividade na cidade. Segundo Rigobello, as reservas de níquel passaram a ser exploradas em 1986. “Os direitos minerários, então, pertenciam a uma multinacional. Em 2003, a empresa anunciou o encerramento do empreendimento em

2005. A Votorantim já explorava o metal em outros Estados e, levando em conta o valor do produto no período, resolveu assumir as atividades”, conta.

De acordo com o gerente, para que a Votorantim levasse à frente o trabalho, foi preciso grande investimento, a fim de que a unidade de Fortaleza de Minas pudesse tratar também o minério proveniente de outros Estados. “O projeto estava morto e teve uma sobrevida de dez anos”, salientou.

“Ao longo dos anos, o níquel apresentou queda constante de preços, e o ápice da redução ocorreu durante a crise econômica de 2008”, destacou Rigobello. Ele acrescentou que a empresa tentou resistir ao mercado recessivo, ao preço depreciado e às dificuldades tributárias. “Mas nem os cortes em despesas, as férias coletivas e a licença remunerada puderam evitar a decisão de agora”, informou.

O deputado Antônio Carlos demonstrou preocupação com a situação do fechamento da Votorantim em Fortaleza de Minas e apresentou requerimentos ao final da reunião. (Foto: ALMG)

O deputado Antônio Carlos demonstrou preocupação com a situação do fechamento da Votorantim em Fortaleza de Minas e apresentou requerimentos ao final da reunião. (Foto: ALMG)

 

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