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DEPUTADO ARANTES APOIA A CRIAÇÃO DA “OPEP DO CAFÉ”

A exemplo do que fizeram os países árabes produtores de petróleo, no inicio da década de 70, a Associação dos Cafeicultores do Brasil (Sincal) propôs, na segunda-feira (27/05/19), a  criação da organização dos países produtores de café para defender o produto no mercado internacional.

A ideia foi apresentada pelo presidente da Associação dos Cafeicultores do Brasil (Sincal), Armando Mattiello, e pelo diretor Marco Antônio Jacob na audiência pública realizada pela Comissão de Agropecuária e Agroindústria da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a pedido do deputado Antonio Carlos Arantes, vice-presidente da ALMG.

De acordo com Mattielo, um simples ajuste no valor do café no mercado internacional poderia trazer bilhões de reais para Minas Gerais: “Essa organização seria responsável por garantir valores de venda superiores aos custos de produção; fomentar o aumento do consumo; criar estoques estratégicos, e planejar a produção para que a oferta não fique maior que a demanda”, justificou.

O deputado Arantes defendeu a ideia: “Esta é uma das propostas que existem para o setor. O que falta é uma ação coordenada que unifique todas elas em torno de um objetivo comum, como fizeram os árabes”, afirmou. Ele lembrou ainda que uma postura forte do governo estadual, junto ao governo federal, poderia resultar em ações imediatas que refletiriam no preço do produto: “A Frente Parlamentar em Defesa do Café já apresentou uma pauta de reivindicações, em Brasília. Agora temos que cobrar os resultados”, reforçou.

Participaram da audiência pública os deputados Bruno Engler (PSL) e Professor Cleiton (DC); além dos representantes das secretarias de estado da Seapa, Níwton Castro Moraes; da Seplag, Sílvia Carolina Listgarten; de órgãos governamentais, como a Emater, Bernadino Cangussu; do BDMG, Rubens de Brito; do Ministério da Agricultura, Nélson Ribeiro; além de instituições ligadas setor cafeeiro, como a Cocatrel, Marcos Valério; a Sincal, Marco Antônio Jacob;  a Faemg, Aline Veloso, e da Ocemg, Geraldo Magela da Silva.

Todos defenderam políticas de proteção para o setor e falaram do grande potencial de crescimento do mercado de café, considerando que somente um quarto da população mundial consume o produto.

A SAFRA DO PREJUÍZO

Antonio Carlos Arantes abriu a reunião lembrando que o atual modelo econômico cada vez mais asfixia o produtor, que fica com uma pequena parte dos ganhos: “O Brasil é o maior produtor de café do mundo e Minas Gerais é o maior produtor brasileiro. A cada xícara de café vendida, vem para as mãos do produtor cerca de 10% de retorno financeiro. Só que ele gasta mais do que isso para produzir. Então, no final das contas, o principal responsável pela produção do café está é pagando para trabalhar. Isso, sim, é trabalho escravo”, observou.

Os participantes da audiência pública defenderam a redução dos custos e o reajuste do preço mínimo da saca. Eles alegam que o custo de produção ficou muito acima do preço de venda praticado no mercado.

Durante a reunião, também foi sugerida a redução de impostos nos insumos agrícolas e a melhoria da malha rodoviária do Sul de Minas, especialmente as rodovias que ligam Pimenta a Guapé e Três Pontas a Varginha, essenciais para o escoamento dos grãos.

Os parlamentares presentes lembraram a importância do café para a economia mineira, principalmente, agora, quando a mineração sofre com o rompimento das barragens.

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