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Deputado Arantes critica a extinção da Rural Minas

Durante audiência pública, realizada pela Comissão de Agropecuária e Agroindústria da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para se debater a regularização da reserva de água da agricultura irrigada, o deputado estadual Antônio Carlos Arantes (PSDB) criticou duramente a proposta do governo estadual de extinguir a Fundação Rural Mineira (Ruralminas). Para ele, a instituição é importante, mas precisa ter suas funções revistas. “Os órgãos de governo devem desenvolver projetos. Nunca concordei com o fato de a Ruralminas trabalhar com máquinas e equipamentos”, explicou. Na própria reunião foi aprovado requerimento para se discutir a extinção da Ruralminas.

Além dessa colocação, Arantes disse que o governo, quando não atrapalha, já ajuda muito. Ele se referiu à exigência da regularização ambiental para concessão de crédito fundiário, que, segundo ele, tem sido feita. “Isso é inviável, já que o Estado não tem corpo técnico suficiente para analisar todos os pedidos em tempo hábil. Com a falta da outorga, os produtores não terão acesso ao crédito. Considero a postura dos bancos públicos de concederem financiamento somente para quem tenha a outorga uma piada de mau gosto. Muitos produtores têm recorrido a agiotas para sanar suas dívidas”, explicou Antônio Carlos.

Uso racional da água

O deputado Arantes sempre se posicionou a favor da conciliação entre produção e preservação ambiental. Segundo ele, é possível produzir em causar danos ambientais. Essa tese também foi defendida pelo superintendente de Desenvolvimento Social e Ambiental da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Rodrigo Carvalho Fernandes. “Precisamos parar de demonizar a irrigação, parar de dizer que é desperdício”, disse. Ele afirmou, ainda, que a sustentabilidade precisa ser vista para além da sua dimensão ambiental. “Não podemos ser reducionistas, temos que considerar também as dimensões econômica e social da sustentabilidade”, ressaltou. Assim, Fernandes lembrou que um terço do Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais vem da agropecuária e que o caminho é investir no uso racional da água.

Nesse sentido, o pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Fúlvio Rodriguez Simão, afirmou que uma das grandes preocupações da instituição é promover pesquisas que possibilitem um uso mais eficiente da água e um trabalho sistemático de preservação das bacias hidrográficas. “Mas a irrigação é importante, propicia alimento de melhor qualidade e garante a produção em períodos em que as chuvas não seriam suficientes”, reforçou, defendendo a construção de barramentos.

Antônio Carlos ressaltou que Minas Gerais se destaca pela área irrigada. Seriam, segundo ele, 376 mil hectares irrigados, a maior área do país. “O produtor precisa de ajuda, tanto nos aspectos tecnológicos quanto normativos”, disse. “Precisamos de barragens pra segurar a água, não há dúvidas. Aproveitar a chuva, quando ela vem, para produzir alimento, mas isso não quer dizer que precisamos degradar o meio ambiente”, pontuou Arantes. O parlamentar também defendeu melhorias na legislação para facilitar licenciamentos, especialmente nas áreas de veredas.

O representante da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater), Ênio Resende de Souza, também defendeu a irrigação e destacou que a maior parte da água utilizada volta para o ciclo hidrológico, tanto pela infiltração no solo quanto pela transpiração das plantas. Ênio de Souza salientou, ainda, que quase metade das áreas rurais mineiras são de pastagens e que a maioria está com algum nível de degradação do solo. Para ele, é importante uma política pública abrangente para recuperação dessas áreas, com financiamentos subsidiados. Segundo ele, esse trabalho ajudaria a aproveitar a capacidade de reservar água nos solos.

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