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Deputados criticam Governo do Estado por falta de repasse dos recursos da Saúde

Deputados criticam Governo do Estado por falta de repasse dos recursos da Saúde

Para Arantes, o problema é a má gestão e não falta de orçamento

O auditório José Alencar Gomes da Silva da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) ficou pequeno para acomodar os mais de 200 representantes da área de Saúde de todo o Estado que vieram participar da audiência pública da Comissão de Saúde na manhã desta terça-feira (24/04/18) e discutir a dívida bilionária do Governo para com os hospitais e municípios. Um telão e dezenas de cadeiras tiveram que ser disponibilizados na área externa do maior auditório da Assembleia para que todos os presentes pudessem acompanhar e participar do debate.

Em sua fala, o deputado estadual Antonio Carlos Arantes (PSDB) criticou o cinismo do Governo do Estado que tinha como slogan de campanha a frase “ouvir para governar”. Segundo Arantes, foi só ganhar as eleições que essa ideia se inverteu. “Se o governador Fernando Pimentel ouvisse as pessoas, a situação da saúde seria totalmente diferente. Cadê o diálogo? Cadê o equilíbrio? O orçamento deste governo subiu quase 70% e os recursos continuam sem chegar aos hospitais e aos municípiosproblema não é orçamentário, mas sim de gestão. Uma gestão fria, calculista, que conta com o apoio da maioria dos deputados desta Casa. Se esses mais de 50 deputados que compõem a base de governo estivessem preocupados com a saúde do povo de Minas, esse governo já teria sido cassado por crime de apropriação indébita de recursos dos hospitais e municípios”, afirmou.

A ausência de representantes do Governo também foi criticada pelos demais presentes. Participaram da audiência, requerida pelos parlamentares Carlos Pimenta (presidente da Comissão de Saúde) e Arlen Santiago, os deputados estaduais Dilzon Melo, Dalmo Ribeiro, Antônio Jorge e Inácio Franco, o deputado federal Leonardo Quintão, além de gestores e trabalhadores de hospitais de todas as regiões do Estado.

Presidente da Santa Casa de BH denuncia situação

de absoluto abandono por parte do Governo de Minas

Guilherme Ricciodiretor de Assistência à Saúde da Santa Casa de Belo Horizonte, também não poupou críticas ao governo. “A Santa Casa tem mais de R$ 33 milhões para receber do governo. O Estado combina, mas não paga. Em 35 anos trabalhando na área da saúde pública, nunca vi uma situação como essa. É claro que dificuldades sempre existiram, sempre enfrentaremos problemas financeiros, mas essa situação de absoluto abandono por parte desse governo com a saúde eu nunca vi. É lamentável que estejamos passando por isso”, disse Guilherme.

Segundo a presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais (Federassantas), Kátia Rocha, a dívida do Estado com a saúde já passa dos R$ 5 bilhões. Desse total, mais de R$ 450 milhões são devidos às Santas Casas e aos Hospitais Filantrópicos. “E depois que o hospital cai na roda viva das dívidas, não basta o governo pagar o que é devido, pois o estrago já foi feito. A instituição cai em descrédito, as dívidas e juros se multiplicam e quem paga a conta é o cidadão que depende do atendimento de saúde oferecido pelo Sistema Único de Saúde. O Governo de Minas tem atuado de forma descompromissada”, apontou Kátia.

Eduardo Luiz da Silva, presidente do Conselho de Secretarias de Saúde de Minas Gerais (Cosems/MG) apresentou números mostrando a situação dos municípios mineiros na área de Saúde. “Muitos hospitais estão prestes a fechar as portas. Os que não estão fechando, sobrevivem graças à caridade de grupos e associações, graças ao voluntariado”, apontou Eduardo. Segundo ele, o Governo deve mais de R$ 1,7 bilhão às instituições que realizam atendimento de alta e média complexidade. Além disso, os recursos que deveriam chegar nos hospitais não estão chegando. “Enquanto isso, os municípios assumem o ônus de colocar recursos próprios na saúde, deixando de investir em educação, saneamento básico, calçamento de ruas. As cidades vivem, hoje, um caos enorme não só na saúde, mas em todas as áreas”, expôs o presidente do Cosems/MG. Por fim, ele destacou a importância do apoio dos deputados e agradeceu o espaço aberto pela Assembleia Legislativa.

Os participantes definiram que uma comissão de deputados estaduais deverá ir ao Ministério da Saúde e à Presidência da República solicitar uma interferência federal no caso de Minas. Eles alegaram que os recursos federais devem ser repassados diretamente para os hospitais e municípios, o que impediria que o Governo de Minas continuasse retendo dinheiro que não é seu.

 

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