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Fórum Técnico começa com palestras de especialistas em startups

Arantes Startup

Deputado Arantes abre fórum técnico na ALMG

O presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Assembleia Legislativa, deputado estadual Antonio Carlos Arantes (PSDB), abriu oficialmente, nesta quarta-feira (23/11/16), o Fórum Técnico Startups em Minas Gerais – A Construção de uma Nova Política Pública. Em seu discurso, o deputado falou sobre o Projeto de Lei 3.578/2016, que propõe um marco regulatório para as startups em Minas. Arantes, um dos autores do projeto, destacou a importância dessa troca de experiências entre empreendedores, representantes do meio acadêmico e dos órgãos de governo.

Participaram da solenidade de abertura do fórum os deputados Dalmo Ribeiro, Felipe Attiê, Gil Pereira e Tadeu Leite; o secretário de Estado de Ciência e Tecnologia e Ensino Superior, Miguel Correia; o cônsul de Israel para Assuntos Econômicos, Daniel Kolbar; e o presidente da Câmara Minas Gerais-Israel de Indústria e Comércio, Marcos Brafman.

A Palesta Magna What makes a successful hi-tech ecosystem (O que torna bem-sucedido um ecossistema hi-tech), ficou a cargo do membro da Jerusalem Venture Partners (JVP Media Quarter), Uri Adoni. Durante a manhã, Adoni falou com a imprensa. Em ambos os momentos, o investidor israelense contou suas experiências com startups.

A JVP Media Quarter é uma das maiores empresas no mundo especializada em venture capital, ou seja, no investimento de capital em outras empresas do setor de tecnologia e inovação – as startups – com o objetivo de fazê-las crescer e se desenvolver. Segundo Adoni, o sucesso de uma startup depende de três fatores: identificar um problema do mercado, ter uma solução avançada para esse problema e uma equipe forte. “Nesse sentido, inovação e criatividade são a chave para o sucesso de um empreendimento”, explicou o investidor israelense.

Sobre o excesso de burocracia que dificulta a criação e o desenvolvimento do setor em Minas, Uri Adoni disse que as startups são dinâmicas e flexíveis e precisam de um campo aberto para surgirem. “Por isso o projeto do deputado Antonio Carlos é muito positivo, uma boa iniciativa para desburocratizar e abrir os caminhos para os empreendedores mineiros”, afirmou Adoni.

Na opinião do especialista de Israel, o que falta em Minas é pensar globalmente. “Pelo pouco que vi, Minas está madura para pensar globalmente. Tem talento, energia, paixão, só falta globalizar. Os empreendedores devem almejar o mercado mundial desde o nascimento de suas empresas e não focar apenas no mercado local. Para incentivar o empreendedorismo e ter sucesso em startups, descubram a vocação maior do Estado, o seu diferencial competitivo”, aconselhou Adoni.

Israel, um país de cerca de 8 milhões de habitantes, é o terceiro em volume de negócios na Nasdaq (bolsa de valores americana, que reúne empresas de alta tecnologia do mundo todo), atrás somente dos Estados Unidos e da China. Em número de empresas do tipo startups, Israel só perde para o Vale do Silício, nos Estados Unidos. A JVP, empresa que Uri Adoni representa, está entre os dez maiores investidores do mundo em capital de risco. O gigante Waze, um dos maiores aplicativos de trânsito do mundo, nasceu em Israel, como startup. Hoje, no país, existem mais de 300 multinacionais baseadas em tecnologia.

Uma empresa pode ser considerada startup se for estruturada em uma base tecnológica inovadora, se pretende desenvolver um produto ou serviço que ainda não existe no mercado e se estiver disposta a correr alto risco no mercado. Segundo Uri Adoni, além do bom produto, existem alguns pré-requisitos, baseados na experiência israelense, para que um empreendimento do tipo startup tenha sucesso: talento das pessoas envolvidas; cultura de empreendedorismo local; capital que é investido; universidade forte e que se relaciona com os empreendedores; e incentivos e apoio governamental.

Entre os vários tipos de incentivo dado a essas empresas em Israel citados por Uri Adoni, há um empréstimo de 500 mil dólares, com juros de 3% do montante, que a empresa só paga se o investimento for bem-sucedido. Se a empresa não der certo, o empreendedor não precisa pagar ao governo. Outro programa oferece apoio para que novas empresas multinacionais se instalem nas periferias do país. Nesse caso, o governo paga 40% dos salários dos empregados da empresa por até 24 meses.

Palestrantes apresentaram sugestões ao Projeto das Startups

Após a Palestra Magna de Uri Adoni, os participantes do fórum assistiram a três painéis de debates. Painel 1: Startups, empreendedorismo e inovação; Painel 2:Startups, políticas e desburocratização; Painel 3: Startups, investimentos e incentivos.

Apesar de não se sentir incluído no segmento de startups, o empresário Luiz Otávio Gonçalves, proprietário do Grupo Vale Verde, fabricante da cachaça de mesmo nome, apresentou iniciativas suas que apontam no sentido da inovação e da criatividade. Ele também é proprietário da Nutrinsecta, única empresa da América Latina que cria insetos para produção de proteína. “Já produzimos 1,5 tonelada pura de proteína de insetos, com um sistema ecologicamente corretíssimo”, comemorou, criticando ao mesmo tempo, a burocracia na legislação que está dificultando a venda das barras para o mercado nacional, enquanto elas poderiam serexportadas para vários paísesAlém disso, Luiz é pioneiro em envasar água de coco no Brasil, dentre outros projetos.

O gerente-executivo da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), Rafael Ribeiro, reclamou que as regras para abertura e fechamento de empresas não são adequadas para as startups. Segundo ele, esses empreendimentos têm formato diferente das empresas tradicionais, com outra dinâmica e outros prazos de maturação e, por isso, precisam de regras próprias. Outro problema retratado por ele foi a falta de mão-de-obra qualificada para atuar no segmento: “Só no estado de Minas Gerais, temos mais de mil vagas abertas em startups sem pessoal adequado para preenchê-las”, afirmou.

Já Adriana Ferreira de Faria, da UFV, destacou estudo da Fundação Dom Cabral sobre a mortalidade das startups no Brasil. Segundo a pesquisa, 25% delas morrem em um ano, 50% em três anos, e 75% em cinco. O levantamento aponta ainda que quanto maior o número de sócios, mais chances a startup tem de “morrer” mais rápido. Por outro lado, quando esse tipo de empresa é sediada em uma aceleradora, incubadora ou parque, a chance de se dissolver é três vezes menor. Atualmente, de acordo com Adriana Faria, existem no Brasil mais de 10 mil startups, sendo que São Paulo detém 30% delas e Minas Gerais, 9%.

Tratando de patentes, Gilberto Medeiros, da UFMG, comparou o número de depósitos no Brasil com outros países. Em 2015, foram depositadas nos Estados Unidos 57 mil patentes; na China, 29 mil; e no Brasil, apenas 548. Outro ponto destacado foi que nesse número norte-americano, a maior parte provém de empresas, como IBM, Sansung, enquanto que no País, as universidades são as grandes responsáveis por patentes. “O fato é que conseguimos transformar dinheiro em tecnologia, mas não conseguimos transformar tecnologia em dinheiro”, criticou.

Gibram Raul, da Comunidade San Pedro Valley, que reúne startups na Capital, considera que está havendo uma aproximação de empresas e de universidades com as startups. Isso ocorre, segundo ele, porque as primeiras temem perder as inovações que esses empreendimentos representam; e as universidades querem usá-las como ponte entre o conhecimento e o mercado. Gibram sugere que o Estado também se integre a esse movimento.

O secretário de Estado de Ciência e Tecnologia e Ensino Superior informou que o governo está investindo em quatro anos R$ 1 bilhão em inovação, com o objetivo de transformar o estado numa aceleradora de startups. Um grande passo foi a criação do Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development (Seed), em português, Ecossistema de Desenvolvimento de Startups e Empreendedorismo, órgão de apoio às empresas do ramo. Ainda segundo Miguel Correia, em dezembro deste ano, o Seed será aperfeiçoado, “com mais musculatura, conexão com a indústria e volume maior de investimentos”. Com as mudanças, o estado pretende captar 2 mil projetos. Para 2017, Correia disse que a Codemig vai passar a aplicar R$ 50 milhões em projetos que julgue inovadores o Estado. A Codemig será sócia desses projetos.

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