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Parlamentares e produtores rurais acusam o MST de praticar crimes com aval do Governo

Parlamentares e produtores rurais acusam o MST de praticar crimes com aval do Governo

Deputado Arantes garante que proprietários de terra vão reagir

e, se nada for feito, conflitos vão tomar conta do campo

Em desrespeito à lei e com uso da violência, criminosos armados têm invadido terras produtivas em todas as regiões do Estado com a conivência e o apoio do Governo do Estado. Essa foi a grave denúncia que produtores rurais, representantes de sindicatos, associações e entidades ligadas ao setor fizeram na audiência conjunta promovida pelas Comissões de Agropecuária e Agroindústria e de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta segunda-feira (21/05). Eles lotaram o auditório José Alencar Gomes da Silva com o objetivo debater os conflitos fundiários que têm gerado tensão no campo graças às constantes invasões comandadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST).

O deputado estadual Antonio Carlos Arantes (PSDB), presidente da Comissão de Agropecuária e Agroindústria da ALMG e um dos requerentes da audiência, manifestou sua indignação diante da insegurança jurídica que os produtores rurais estão submetidos. “O agronegócio sustenta a economia mesmo em tempos de crise econômica e é assim que os responsáveis por isso são tratados? Um desrespeito, um absurdo. Não vamos nos calar aqui na Assembleia. O direito à propriedade é sagrado”, afirmou Arantes.

Os deputados Luiz Humberto Carneiro (PSDB), Sargento Rodrigues (PTB), Carlos Pimenta (PSD), Inácio Franco (PV) e Gil Pereira (PP) também se posicionaram a favor dos produtores rurais, por considerarem que os métodos utilizados pelo MST e outros movimentos por terra não encontram amparo legal. Os parlamentares disseram que são a favor dareforma agrária, desde que seja feita sem violência e as famílias sejam alocadas em terras devolutas, aquelas sem destinação e que em nenhum momento tenha integrado o patrimônio de alguém.

A reunião foi marcada por denúncias sobre a conduta de membros do MST, que estariam se valendo de ameaças e violência para expulsar proprietários de terra de suas fazendas e dirigir assentamentos de acordo com suas posições ideológicas. As críticas também chegaram à Superintendência de Patrimônio da União (SPU) e ao Ministério Público (MP), que formariam, em conjunto com outras instituições, um extenso aparato de órgãos públicos do governo de Fernando Pimentel, do PT, responsável por dar guarida às ações ilegais dosinvasores.

 Comissão conjunta  (2)

Ex-integrantes do MST pedem desculpas por

terem participado desse movimento criminoso

Entre os depoimentos contra as ações do MST, destacam-se os relatos de Valdemar Silva e Amauri Camargo, ex-integrantes de um assentamento em Campo do Meio (Sul de Minas). “Esses assentamentos funcionam como um reduto eleitoral do PT. Eles atraem trabalhadores de grandes centros com falsas promessas e depois usam e escravizam essas pessoas”, afirmou Valdemar. Ele disse que, por se recusar a votar no Partido dos Trabalhadores e recriminar a conduta violenta do grupo em invasões de propriedades produtivas, passou a ser perseguido. Valdemar também acusou assentados de se prostituírem e fazer uso de drogas. “Estou correndo risco de vida”, salientou.

Segundo Amauri Camargo, que também se diz vítima de perseguição por não seguir a cartilha imposta pelas lideranças, quase ninguém produz no assentamento. Amauri contou que sua casa foi destruída e saqueada e até mesmo pediu desculpas por um dia ter participado do MST.

Produtores se organizam contra invasões

Como resposta às reivindicações por terra do MST, produtores rurais organizaram o Movimento Segurança no Campo. Adriano Coelho, que compõem o movimento, acusou a Superintendência de Patrimônio da União de imparcialidade na definição de terras destinada à reforma agrária, entre as quais parte de sua fazenda, localizada em Buritizeiro (Norte de Minas). Após mais de uma década de disputa judicial, ele conseguiu uma sentença definitiva pela reintegração de posse da propriedade. “Aí, vieram com a história de que lá reside uma comunidade tradicional. Estão criando comunidades que pleiteiam 120 mil hectares na região”, relatou. De acordo com Adriano, a SPU e o MP, de maneira tendenciosa, dão atenção a falsas acusações contra ele, enquanto fazem vistas grossas a crimes praticados pelos assentados, com a exploração ilegal de madeira.

João Damásio, que também é representante do Movimento Segurança no Campo, contou que havia a expectativa da instalação de uma grande indústria na região produtora de medicamentos. Segundo ele, iam investir mais de R$ 600 milhões, gerar em torno de 500 empregos, mas como as terras foram ocupas pelo MST, o empreendimento foi temporariamente suspenso. “Quem vai investir na região se grupos armados são uma ameaça permanente?”, indagou João Damásio.

Virgínia Tofani, mais uma integrante do Movimento Segurança no Campo, relatou a violência praticada durante a ocupação de uma fazenda em Capitão Enéas (Norte de Minas). Conforme informou, uma funcionária foi surrada por 18 homens armados na sede da fazenda, que procuravam pelo dono da propriedade. Ela afirma que os invasores destruíram pastos, venderam e mataram animais e pediram R$ 100 mil para vender aos proprietários móveis e gado da própria fazenda. Diante do deferimento de ação de reintegração de posse, Virgínia disse que os líderes da ocupação debocharam da polícia, se vangloriando de ter acesso e apoio de instâncias superiores no governo.

O coordenador de Comunicação do Movimento Brasil Livre (MBL), Leonardo Victor, também criticou o MST, suas lideranças e suas ações e disse que está ao lado do deputado Antonio Carlos na luta contra os terroristas de esquerda do MST que causam pânico nas famílias de produtores rurais que vivem do seu trabalho honesto em suas terras produtivas.

“O que fizemos aqui é denunciar os abusos e proteger o direito de propriedade, que é um direito sagrado. Enquanto nós estivermos aqui, os produtores rurais terão voz ativa nesta Casa”, ressaltou Arantes. O parlamentar prometeu continuar lutando para que o Projeto de Lei (PL) 3.562/16 do deputado Rogério Correia (PT), que praticamente legaliza invasões de terra no Estado, não seja aprovado na Assembleia. “No ano passado nós conseguimos paralisar sua tramitação. Ele está dormindo, mas pode acordar a qualquer momento. Estamos vigilantes para que isso não ocorra”, afirmou Arantes.

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