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Potencial econômico das startups mineiras é tema de debate na ALMG

Deputados anunciam projeto para criar um Marco Regulatório para o setor

Com aproximadamente 350 startups (empresas focadas em inovação tecnológica), que cresceram 18% nos últimos seis meses, em plena crise econômica, Minas Gerais tem potencial para mudar sua matriz econômica, atualmente baseada na mineração e no agronegócio. O papel dessas empresas para o desenvolvimento do Estado e seu potencial foram os destaques da audiência pública realizada nesta terça-feira (17/5/16), pela Comissão de Desenvolvimento Econômico da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O debate foi solicitado pelos deputados Antônio Carlos Arantes (PSDB), presidente da comissão, e Dalmo Ribeiro Silva, do mesmo partido. 

Como resultado imediato da reunião, ficou decidido que será formado um Grupo de Trabalho para a discussão e formatação de uma legislação específica para o setor. “Os principais gargalos são as legislações trabalhista e tributária. Por serem empresas nascentes em um mercado totalmente incerto, não têm estrutura básica para encarar as exigências da legislação vigente. Além disso, a burocracia só tem atrapalhado o segmento. Precisamos mudar esse quadro o quanto antes”, disse Antônio Carlos.

Os empreendedores participantes foram unânimes em afirmar que a falta de legislação e o excesso de burocracia tem prejudicado os negócios. “As startups não podem ser enquadradas nos atuais modelos de empresa, pois não têm recursos para arcar com as despesas tributárias. Da mesma forma, não podem seguir a legislação trabalhista à risca, tendo em vista que lidam com mão de obra cara”, explicou Gibram Raul, CEO da startup Netbee e representante da comunidade San Pedro Valley, um coletivo de empresas mineiras com essa formatação. O empreendedor também falou sobre a dificuldade de acesso a crédito, tendo em vista que muitas empresas não têm sede e nem faturamento. “Em Nova Iorque, há isenção de impostos para as startups nos dez primeiros anos de funcionamento. E a França está pagando para essas empresas irem para lá”, comparou.

Os mineiros têm feito sucesso no exterior. O presidente do conselho administrativo da Take.net. Daniel Rodrigues Costa, contou que foram selecionadas 10 startups do mundo inteiro para participarem de uma competição internacional na França. Dessas 10, duas eram brasileiras, de Minas Gerais. Das três vencedoras, duas eram essas empresas mineiras.

Uma aproximação entre as startups e o Estado, por meio da ALMG, também foi solicitada no encontro. Márcio Mariano Junior, sócio-diretor de startups ligadas à Indústria 4.0, falou da falta de um canal direto para estreitar a relação governo, indústria e empreendedores. Ele ainda disse que o governo não tem explorado o potencial das startups que podem apresentar soluções para reduzir custos e aumentar a produtividade das empresas, indústrias e até mesmo do próprio governo.

Os vários projetos do Estado para as startups foram citados pelo subsecretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Leonardo Dias de Oliveira. Há parcerias, segundo ele, em projetos com a Fapemig, a Fiemg e o Sebrae, entre outros, mas ainda falta visibilidade às ações. “Precisamos do marketing. Há coisas acontecendo e ninguém sabe”, afirmou, citando o Big Ideia, um programa sobre inovação transmitido pela TV Alterosa, com apoio da Fiemg e do Estado. Outra iniciativa mencionada foi a criação do portal do Sistema Mineiro de Inovação (Simi), justamente para agregar todas as iniciativas na área.

Arantes se mostrou muito satisfeito com a reunião. “Os empreendedores deram uma grande contribuição à discussão e mostraram como a burocracia atrapalha o segmento. Muitas startups funcionam com apenas uma pessoa que trabalha em seu quarto com um computador e uma ideia que ainda está sendo gerada. É um mercado muito diferente do tradicional e precisa, urgentemente, de um tratamento diferenciado para continuar a crescer e promover o desenvolvimento econômico de Minas. Quem investe em educação e em tecnologia avança, como a Coreia do Sul”, concluiu o Antônio Carlos.

Experiências mundiais devem ser referência

O conhecimento de experiências inovadoras no mundo, inclusive para a formatação de um projeto de lei na ALMG, foi defendido por Leonardo Fares Menhem, presidente da Fumsoft. Ele citou a criação, pela China, de um ministério do Ciberespaço, justamente pela importância estratégica das inovações tecnológicas. Enquanto isso, segundo ele, Minas, que já ocupou o 2º lugar no ranking de TI, caiu para 7º, e a participação do setor no PIB do Estado é de 2,2%, metade da média nacional. A Fumsoft é uma das entidades que tocam o programa MGTI, que tem, entre outras metas, colocar Belo Horizonte em primeiro lugar em TI no Brasil até 2022.

“Isso envolve capacitação, para elevar o faturamento do setor na Região Metropolitana de R$ 2,2 bi para R$ 9 bi e para o preenchimento de 70 mil vagas. Envolve também uma estratégia para geração de negócios, para que as startups de Minas consolidem empresas e não sejam consolidadas”, afirmou Leonardo Menhem. “Mais do que dinheiro, a juventude quer aplicar seu talento”, reforçou Danilo Maia, Engenheiro Elétrico e de Computação. Quando ainda era estudante, ele criou um portal de troca de livros didáticos que se tornou muito grande e acabou sendo vendido.

Requerimentos

A comissão aprovou dois requerimentos do deputado Antônio Carlos Arantes. O primeiro solicita visita ao SEED (Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development), programa criado pelo governo de Minas para apoiar as startups, instalado no Espaço Centro e Quatro, na Praça da Estação, no Centro de Belo Horizonte.

O segundo requer a realização de audiência pública para debater a injeção de capital da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) no Banco Mercantil de Investimentos (BMI), controlado pelo Banco Mercantil do Brasil, por meio de oferta pública de ações. “Enquanto os estados querem ficar livres de seus bancos, Minas está comprando por R$ 150 milhões um banco que vale R$ 60 milhões. E ainda será minoritário. Nesse fubá tem bicho”, justificou Arantes.

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