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PREFEITOS AMEAÇAM ROMPER COM A COPASA

FALTA DE ÁGUA É DISCUTIDA NA ALMG A PEDIDO DO DEPUTADO ARANTES

A pedido do deputado Antonio Carlos Arantes (PSDB), mais de 300 autoridades de 29 municípios representados por prefeitos, vereadores, líderes comunitários, agricultores e consumidores em geral participaram da audiência pública da Comissão de Defesa do Consumidor, realizada na segunda-feira (23/1017), que questionou a Copasa sobre a falta de água em muitos municípios do Estado.

A audiência durou sete horas e contou com os deputados Felipe Attiê (PTB), Alencar da Silveira Jr. (PDT), Dalmo Ribeiro Silva (PSDB), João Leite (PSDB), Fabiano Tolentino (PPS) e Sargento Rodrigues (PDT), além do deputado federal Domingos Sávio (PSDB-MG) e do ex-deputado Antônio Júlio.

Autoridades do Governo de Minas foram convidadas a prestar esclarecimentos sobre o problema, mas a principal delas, a diretora-presidente da Copasa, Cinara Shenna, não compareceu. Em seu lugar, mandou os diretores de Operações Rômulo Perilli e Gílson Queirós. O diretor-geral da Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (Arsae-MG), Gustavo Cardoso, e o representante do Instituto de Gestão das Águas (Igam), Heitor Moreira, estiveram presentes.

O deputado Arantes foi firme ao criticar o trabalho da Companhia de Saneamento de Minas Gerais: “A Copasa é uma empresa caloteira, que vende um produto e não entrega. Pelo menos 20% da população mineira sofre com a falta de água e não é por falta de chuva não, é por falta de planejamento”, justificou.

Os prefeitos presentes manifestaram descontentamento com os serviços prestados e anunciaram que vão romper ou não renovar os contratos com a Copasa. O de São Sebastião do Paraíso, Walker Américo, o Walkinho, que também representou o presidente da Associação Mineira dos Municípios (AMM), Julvan Lacerda, prefeito de Moema, classificou o serviço da Copasa como irresponsável: “Há quatro anos a Copasa cobra pela coleta e tratamento de esgoto de 98% da cidade e não presta nem metade do serviço, jogando o restante nos rios. A Copasa só dá prejuízo aos municípios. Ela chega, faz os buracos nas ruas e vai embora. Os prefeitos têm que se virar para fazer as obras de reparo. E não adianta reclamar na Arsae, porque ela não resolve nada. A única solução é tirar a Copasa do município, afirmou.

O prefeito de Bom Despacho, Fernando Cabral, lembrou que 25% do esgoto da cidade dele também são jogados no rio: “Já travessei o deserto do Saara e vi como as pessoas lidam com a escassez de água. Se a Copasa não sabe administrar a abundância, imagina a falta. A Copasa está em minha cidade há 41 anos e não fez nenhum investimento, mas todo ano dá um lucro de 20% para seus acionistas e aumentos nas tarifas para o povo, sempre maior do que qualquer índice do mercado. Mas nós temos alternativa. A Copasa vai sair de Bom Despacho se não virar uma empresa séria.”, afirmou.

O vereador Paulo Marcelo, de Carmo do Rio Claro, foi um dos que questionaram a capacidade da Companhia: “A Copasa tem um grave problema de gestão. Eles não estão preocupados com os municípios que atendem, só querem saber de apresentar a conta para o povo pagar”.

O diretor da Arsae, Gustavo Cardoso, confirmou que há racionamento em 48 municípios e que em outros 35 também deverão faltar água e que está fiscalizando o trabalho da Copasa, mas foi contestado por todos os presentes. O deputado Arantes lamentou a postura da Arsae: “As agências reguladoras foram criadas para defender o povo, mas no Governo do PT elas defendem as empresas”, pontuou.

Os representantes da Copasa também foram acusados de dirigirem uma empresa que não se preparou para enfrentar a crise hídrica que todo mundo sabia que iria acontecer. “Faltou planejamento e investimento. A Copasa só se preocupa em faturar e esquece de cuidar do nosso maior bem que é a água”, ressaltou Arantes. O deputado questionou também a postura da empresa diante do meio ambiente: “A Copasa é a maior poluidora do Estado. Ela cobra para recolher os esgotos das cidades e jogar nos rios, poluindo, matando os peixes e a vegetação. É uma companhia que não se preocupa com as nascentes. A Copasa está matando seu próprio negócio”, afirmou.

Por sua vez, os diretores da Copasa afirmaram que o Brasil não investe em saneamento há anos e que a Companhia atende a 630 municípios mineiros. No entanto, não souberam explicar porquê está faltando água a 20% da população de um Estado que tem mais de sete por cento da água do país.

ARANTES COBRA DEVOLUÇÃO DO DINHEIRO DOS MUNICÍPIOS

O deputado Antonio Carlos Arantes afirmou que se a Copasa não está dando conta do negócio, deveria devolver os contratos aos municípios que cuidariam muito melhor deles, com qualidade e atendimento à população. E, ao final da reunião, o deputado assinou requerimentos destinados ao Ministério Público e à Arsae solicitando investigações nos municípios onde a Copasa cobra pelos serviços e não entrega. Arantes pediu também a devolução do dinheiro que foi pago pelos consumidores.

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