Início » Notícias » Produtores de leite apresentam demandas a deputados

Produtores de leite apresentam demandas a deputados

Redução de juros bancários, prorrogação de dívidas, melhoramento genético do rebanho, seguro rural e profissionalização do gerenciamento da propriedade rural. Essas são algumas das demandas dos produtores de leite apresentadas em reunião da Comissão de Política Agropecuária e Agroindustrial da ALMG, nesta quarta-feira (17/6/15).

O deputado estadual Antônio Carlos Arantes (PSDB) participou da reunião e falou sobre a situação crítica enfrentada pelos produtores de leite. “Eles trabalham 16 horas por dia, 365 dias por ano e no final, ao fazerem as contas, tomam prejuízo. Os produtores não lucram e são vítimas de juros altos. Ficam endividados. Enquanto isso, o leite nas padarias está cada vez mais caro. Isso é uma injustiça. O produtor não é valorizado”, argumentou o parlamentar. Ele também criticou o aumento dos preços de energia, combustível, mão de obra e fertilizantes, que penalizam os produtores de leite.

Arantes se solidarizou com a situação dos produtores e relembrou sua própria história. “Aos cinco anos comecei a ter contato com o gado. Aos sete anos, tirei leite pela primeira vez. Desde pequeno, sempre estive envolvido nesse meio. No final do mês, a gente costumava tirar 7 litros de leite. E o dinheiro da venda desse leite pagava as despesas da produção e ainda sobrava para comprar outras coisas. Hoje, os produtores pagam para produzir leite”, contou Antônio Carlos.

Outro ponto levantado pelo deputado Antônio Carlos foi o absurdo da importação de leite. “Precisamos exportar leite. O produtor não recebe o menor apoio e o governo ainda importa leite? Isso é um absurdo”, criticou. O consumo do alimento no País cresceu apenas 2% no último ano, enquanto a produção cresceu 4,4%. Esses dados levaram os presentes a questionarem o que vai ser feito com esse excedente.

O diretor da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, Luiz Carlos Rodrigues, fez um resumo dos principais problemas vivenciados pelos produtores de leite. Segundo ele, é urgente que seja adotada a securitização rural, permitindo a prorrogação do prazo para pagamento das dívidas dos produtores. “O homem do campo não é desonesto. Quando ele não paga uma dívida, é porque não tem jeito mesmo”, defendeu. Ele também sugeriu a cobrança de juros subsidiados para esse segmento.

Rodrigues ainda defendeu que o Governo Federal estabeleça um preço mínimo para o leite, de modo a garantir a remuneração dos produtores. Ele informou que os produtores mineiros estão recebendo entre R$ 0,70 e R$ 1,20 pelo litro de leite, o que seria insuficiente para cobrir os custos de produção. “O produtor rural precisa ter renda, para que viva bem”, reforçou.

O presidente da comissão, deputado Fabiano Tolentino, anunciou que vai apresentar requerimento para a prorrogação do prazo para recuperação dos créditos tributários do leite para as cooperativas e indústrias de laticínios. Esse prazo, segundo ele, vence em 30 de junho.

Luiz Carlos Rodrigues ainda abordou o esforço da associação que representa para levar a tecnologia genética a todos os produtores de leite. “Essa tecnologia tem que chegar ao pequeno produtor, para que ele crie vacas produzindo de 25 a 30 litros de leite por dia, em vez dos 15 a 20 litros atuais”, afirmou.

Lideranças condenam importação de leite pelo Brasil

Vários participantes da reunião criticaram a política do governo brasileiro de importar leite de outros países. Eduardo de Carvalho Pena, da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), informou que só do Uruguai, foram importados neste ano 60 milhões de litros. “Isso representa 8% da produção mineira de leite”, lamentou ele, lembrando que o governo tem ainda ultrapassado as quotas estabelecidas pelo Mercosul para esse produto.

Mas Eduardo Pena, da Faemg, ressalvou que exportar leite ainda é muito difícil para o Brasil. “Nosso plano de sanidade é pífio. Não temos dados confiáveis e unificados”, afirmou. Ele acrescentou que o plano nacional para erradicação da tuberculose e brucelose no rebanho bovino não funciona principalmente porque não há um plano indenizatório para animais contaminados.

Para suprir essa lacuna, o deputado Fabiano Tolentino propôs, por meio de requerimento, a criação do Fundo de Emergência Sanitária, que indenizaria o produtor quando seu animal fosse sacrificado. Nessa perspectiva, Gilberto Rodrigues Coelho, assessor do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), disse que esse fundo tem que indenizar também o lucro cessante, que é o tempo que o pecuarista vai ficar sem ter a produção daquela rês sacrificada.

Tratando de assistência técnica, Eduardo Pena destacou o programa Balde Cheio, da Faemg, presente em 315 municípios. “São 2.300 produtores rurais atendidos. Estamos conseguindo passar produtores das classes D e E para a classe C”, comemorou. Ele propôs a expansão do programa para todo o Estado e o País. De acordo com o representante da Faemg, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, lançou recentemente o programa de competitividade no campo, que tem como um dos focos expandir para todo o Brasil programas bem sucedidos em um Estado ou região.

Também elogiando o Balde Cheio, Luiz Carlos Rodrigues destacou que, por meio do programa, um agropecuarista consegue reduzir seu rebanho pela metade mantendo a mesma produção, por meio de melhoramento genético.

Guilherme Gonçalves Teixeira, da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado (Fetaemg), lembrou que a maior demanda dos agricultores familiares é o acesso à assistência técnica. Segundo ele, 80% dos 500 mil produtores de leite mineiros são de pequeno porte. “Como vamos massificar o acesso à tecnologia e ao conhecimento?”, questionou.

No Brasil, são produzidos 36 bilhões de litros de leite por ano, sendo 10 bilhões em Minas Gerais, maior produtor nacional, com cinco milhões de vacas. Sobre as importações, Moreira relatou que até o ano passado, o preço da tonelada de leite em pó era de US$ 5 mil, mas esse valor caiu pela metade. Os Estados Unidos já estão oferecendo esse leite a US$ 1.900 a tonelada. Isso mostra o tamanho do desafio que se tem para melhorar a competitividade do leite brasileiro.

 

Verifique também

DEPUTADO ARANTES CUMPRIU EXTENSA AGENDA EM POÇOS DE CALDAS NA SEXTA-FEIRA

Em Poços de Caldas fiz uma série de visitas onde discutimos projetos para diversas áreas …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *